Intolerância

Postado em 21/04/2015 • Preleção0 comentário

Para começar, gostaria de parafrasear algo que Padre Fábio de Melo disse em uma de suas entrevistas: “O mundo só vai ter solução no dia que a gente descobrir que, antes das nossas denominações religiosas, nós somos pessoas, com sonhos, esperanças e que o mundo vai ficar mais bonito, na medida em que, mesmo rezando em templos diferentes, depois do templo, a gente possa comer no mesmo restaurante.”.

Para começar, gostaria de parafrasear algo que Padre Fábio de Melo disse em uma de suas entrevistas: “O mundo só vai ter solução no dia que a gente descobrir que, antes das nossas denominações religiosas, nós somos pessoas, com sonhos, esperanças e que o mundo vai ficar mais bonito, na medida em que, mesmo rezando em templos diferentes, depois do templo, a gente possa comer no mesmo restaurante.”.

O preconceito, na maioria das vezes, é mais ignorância, que intolerância. E nós não podemos rebater intolerância com intolerância. Temos que ser conscientes de nosso papel contra o preconceito que ainda paira sob nossa religião.

Eu acredito que a intolerância religiosa é uma coisa extremamente triste. Principalmente quando praticante de tal ato tem uma fé, uma crença, é cristão (é pior para quem pratica, do que para quem sofre a prática). Pois, é o praticante que acaba indo contra os princípios de sua fé.

A bíblia conta: Jesus foi crucificado por aqueles que não aceitavam o que ele dizia, não aceitavam sua fé. Ali já havia intolerância. É válida então a ideia que, os mesmos intolerantes que crucificaram o Filho de Deus, são os intolerantes que hoje acreditam que sua religião é melhor que outra, que sua crença vale mais que outra.

É irracional. Você clama, louva, ora, segue e crê naquele que foi pregado e morreu na cruz (por acaso, por crer em sua fé até o fim e não abrir mão dela) e, em contrapartida, ajuda a crucificar outras pessoas que tem fé diferente da sua? Essas pessoas não têm direito? Não questionaremos o final de tudo, o motivo pelo qual Ele morreu etc., mas o fato, que consta na bíblia. Questionaremos a contradição entre o que alguns cristãos creem, e pregam e o que realmente fazem.

Qual o problema de acreditarmos que existe uma sereia, Deusa, que toda beleza, cuida das águas do mar? Qual o problema de acreditarmos que a natureza não pode ser destruída, pois meu Orixá Oxossi, Rei das Matas, vive lá? Por que não posso manifestar minha religião dentro do Terreiro que frequento? Por que não posso louvar e adorar o que acredito? Por que estou errada em buscar minha evolução espiritual e, para isso, trabalhar três vezes por semana na Casa que pertenço? É errado? Por isso digo e repito o que chamam de intolerância (e considero ignorância) é totalmente sem fundamento.

Acho que mais pessoas deveriam aprender o significado de charlatanismo, para reconhecerem com facilidade. Qualquer coisa que envolva “pessoas” está sujeita à má fé, corrupções e várias outras atitudes ruins. (justamente por termos a maldade em nossa essência, fazendo parte da natureza humana). Se a fé, a vontade de seguir Deus, seu caminho, seu chamado, não for mais importante que seguir sua essência humana, ainda sim, dentro de uma religião, praticam o mal. Mas, isso não é só na Umbanda. Na religião católica, já escutamos casos de crianças estupradas dentro da Igreja, por ditos “padres”. Na Igreja Evangélica, quantos fieis já foram roubados por ditos “pastores”?

Quando o radicalismo impera, somos incapazes de enxergar o outro como ser humano e, portanto, ainda mais incapazes de respeitá-los. Discussões são sadias, quando a intenção é conhecer a outra religião, não julgá-la e quando são permeadas, claro, pelo respeito e responsabilidade. Não existe fé melhor que outra. Por que intolerar?

O que é intolerância? Aliás, o que é tolerância? Pois, se somos contra a intolerância religiosa, somos a favor da tolerância religiosa. Mas, será que já paramos para pensar no significado dessa palavra? O que é tolerar? Tolerar. 1 Levar com paciência, suportar com indulgência 2 Condescender com; dissimular certas coisas, sem no entanto as consentir expressamente, uma vez que não sejam lícitas 3 Permitir o livre exercício de (crenças ou cultos religiosos). 4 Assimilar, digerir, suportar: 5 Suportar-se. Será que nós queremos ser tolerados? Eu, particularmente, não quero.

Por isso digo e repito as sábias palavras de Makota Valdina: “Eu não quero que me tolerem, eu quero que respeitem o meu direito de ter a minha crença”.

Iara Janaína F. Librelon

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